ERAS® em Cirurgia Cardíaca

Banner sobre a ERAS® em Cirurgia Cardíaca, com foto de uma mão tocando um monitor na Takaoka Anestesia.

Escrito por: Dr. Luiz Guilherme Villares Da Costa

Os procedimentos em cirurgia cardíaca têm tomado cada vez maior espaço dentre as cirurgias eletivas em todo mundo; sendo, segundo a OMS, as doenças cardiovasculares as maiores responsáveis por morbimortalidade. Tal fato gera um alto custo direto em saúde primária, secundária e terciária, sendo a última a modalidade mais cara. Gastos indiretos envolvem as questões previdenciárias (representada por aposentadoria precoce forçada, dada a baixa capacidade funcional em pacientes com lesões orgânicas irreversíveis e sequelas incapacitantes), o investimento em reabilitação física e psíquica (alto índice de doenças psiquiátricas nessa população) e o custo da retirada de capacidade produtiva desses indivíduos para o país e sociedade como um todo1.

Pacientes que são candidatos à cirurgia cardíaca, seja na modalidade convencional, na radiologia intervencionista hemodinâmica ou por métodos mistos, são inseridos em um processo de saúde custoso para a iniciativa pública e privada. Tal fato justifica uma política de otimização de gastos, com maximização de indicadores de qualidade e redução de gastos com maior eficiência do sistema de saúde.

Nesse contexto, surge o conceito ERCS (Enhanced Recovery for Cardiac Surgery), derivado da raiz macro de otimização em cirurgias, o projeto ERAS (Enhanced Recovery After Surgey ™). O conceito de ERCS, compreende uma série de medidas nos períodos, pré, intra e pós-operatório, visando a otimização de todo o processo, para obter melhores resultados com menores gastos à máquina de saúde1.

Recente revisão sistemática, pontua medidas baseadas em evidências para a otimização do ERCS.2 Pode-se fragmentar as principais medidas conforme o gráfico abaixo:

Muitos estudos têm demonstrado sistematicamente o benefício do protocolo de otimização perioperatória em cirurgia cardíaca, com redução impactante de gastos e diminuição de morbidade e muitas vezes de mortalidade na população de pacientes com doenças cardiovasculares3.

Enfim, o processo de otimização deve dar-se em toda a cadeia de cuidados ao paciente, culminando com a criação de um processo de educação multiprofissional focado em resultados, tendo como via final, a maximização da custo-efetividade do atendimento a esses pacientes.

Referências bibliográficas:

  1. Noss C, Prusinkiewicz C, Nelson G, Patel PA, Augoustides JG, Gregory AJ. Enhanced Recovery for Cardiac Surgery. J Cardiothorac Vasc Anesth 2018;32:2760-70.
  2. Engelman DT, Ben Ali W, Williams JB, et al. Guidelines for Perioperative Care in Cardiac Surgery: Enhanced Recovery After Surgery Society Recommendations. JAMA Surg 2019;154:755-66.
  3. Li M, Zhang J, Gan TJ, et al. Enhanced recovery after surgery pathway for patients undergoing cardiac surgery: a randomized clinical trial. Eur J Cardiothorac Surg 2018;54:491-7.

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